Porquê e como Promover uma Cultura de Inovação

como inovar

 

Muitos decisores empresariais e públicos consideram que o elemento mais importante para a inovação é a tecnologia. É natural. A tecnologia transforma cada vez mais as nossas vidas.

 

No futuro, uma grande parte da nossa vida estará digitalizada, conectada, automatizada, robotizada. Adicionalmente, as decisões associadas ao desenvolvimento ou compra de tecnologia são visíveis, diretas, mensuráveis. Mas a essência do sucesso na inovação está na cultura. Uma cultura de inovação é uma vantagem estratégica nos dias de hoje.

Silicon Valley é o local do mundo onde mais inovações são desenvolvidas, mais rapidamente escaladas e com maior sucesso. Vários países, regiões e cidades definiram formalmente e anunciaram o objetivo de replicar Silicon Valley, e têm programas estruturados de ligação das suas empresas e empreendedores ao maior hub mundial de inovação. Um grande número das maiores empresas mundiais tem representação em Silicon Valley. Empreendedores e empresas de todas as áreas visitam Silicon Valley para aprenderem a ficar mais inovadores. Eu próprio, em articulação com a minha empresa, já recebi e orientei mais de 300 executivos portugueses em programas de imersão em Silicon Valley e apoiei 70 start ups lusas. Vivo em Silicon Valley há dez anos, depois de ter vivido e trabalhado em três países europeus, entre os quais Portugal. Partilho aqui a minha aprendizagem durante este trajeto, que considero relevante para o contexto português.

Quando pensamos em Silicon Valley pensamos em computadores, telemóveis, inteligência artificial, carros automáticos, blockchain, realidade aumentada, Apple, Google, etc. Mas, afinal, o que diferencia Silicon Valley? Não é a tecnologia. Silicon Valley é, acima de tudo, um state of mind. Um estado de espírito focado em desafiar os modelos de negócio instituídos, que procura a mudança, que remunera a criatividade, que não penaliza o erro, a ambição, a diferença, as ideias diferentes. Mas sempre focado em métodos pragmáticos e em resultados.

 

1. Qual é o factor determinante para a inovação?

O que permite às grandes empresas permanecerem líderes décadas após décadas? A tecnologia? Raramente, pois ao longo dessas décadas a tecnologia vai mudando. Estratégias e modelos organizacionais? São instrumentais, pois vão mudando consoante as circunstâncias.

O que estas organizações têm que as tornam bem-sucedidas ao longo do tempo é uma cultura de inovação e de liderança que lhes permite antecipar, criar e gerir a mudança. As empresas que vencem no mercado têm um ambiente organizacional que inspira e impele cada colaborador a estar desperto para oportunidades de inovação a qualquer hora do dia, quando ninguém está a ver (fora dos eventos de inovação e de apresentação de plano estratégico e de inovação), e a implementar inovações que fazem sentido para a organização. É ter uma cultura de inovação.

De acordo com o futurista Gerd Leonhard, o sucesso das empresas e das organizações no futuro será mais determinado por traços humanos (como a criatividade, a imaginação, intuição, emoção e ética) do que pela tecnologia. Para vencer na inovação é preciso ir além da tecnologia e centrar-se nas pessoas e no ambiente que as torna mais inovadoras. A inovação faz-se de pessoas, para as pessoas e por pessoas.

 

A inovação faz-se de pessoas

A inovação implica uma preparação mental e cultural. Nas organizações, os planos mental e cultural estão intimamente ligados – um condiciona o outro. O plano mental exige uma predisposição da mente para a abertura a pensar diferente, fazer diferente e promover a diferença, tendo em vista a criação de valor para o cliente final. O plano cultural implica um contexto organizacional aberto e livre de preconceitos, que acolhe e promove a curiosidade, a criatividade e o pensamento disruptivo, e que acolhe todas as ideias, por mais absurdas que pareçam, pois, uma ideia absurda bem trabalhada

pode dar origem aos resultados mais interessantes. Em cada organização há que identificar, valorizar e apoiar os campeões da inovação, aqueles que facilitam e impulsionam a mudança.

 

A inovação faz-se para as pessoas

Muitos esforços de inovação falham por se deixarem desviar para as idiossincrasias do investigador, especialmente na Europa; ficam centrados na perspetiva e nas opiniões do criador. Cada ideia, conceito ou modelo inovador tem em vista a criação de valor para um destinatário identificado: um consumidor, um utilizador, um beneficiário. Por este motivo, ferramentas como o design thinking tornaram-se tão relevantes para o processo de inovação. O design thinking parte da empatia com o destinatário da inovação, produto ou solução.

Baseia-se na identificação concreta de uma necessidade («dor») específica do observado e que justifica pensar, conceber e testar uma solução para a resolver. Devido a abordar os problemas de forma vivencial e sob diversos ângulos, o design thinking tornou-se uma ferramenta crítica da inovação.

 

A inovação faz-se por pessoas

Nas empresas inovadoras os inovadores são mais valorizados que as inovações, que acabam por ser o resultado dos primeiros. E como a inovação é feita por pessoas, voltamos ao conceito cultural e à responsabilidade individual que cabe a cada um assumir na sua organização. A inovação sem uma cultura organizacional que a incentive não se concretiza. A inovação implica um equilíbrio entre criatividade e disciplina: criatividade para pensar diferente e encontrar novas soluções; disciplina para fazer, errar, persistir e refazer até chegar à solução geradora de valor. Para que isso aconteça são necessários incentivos a determinados comportamentos e atitudes.

 

2. Mas o que é, afinal, uma cultura de inovação?

Uma organização pode ter diversas iniciativas formais e organizadas de promoção da inovação. Estas resultam da estratégia formal, dos objetivos definidos. Mas no dia-a-dia, fora dessas iniciativas, como se faz a inovação? O que acontece quando ninguém está a olhar? Fora desse controlo existem valores, relacionamentos, comportamentos e atitudes que condicionam a atuação e os resultados organizacionais. A inovação deve ser uma responsabilidade de todos, a todos os níveis da organização. Não é exclusiva de um departamento de inovação nem da equipa de gestão, é partilhada a todos os níveis, por todas as funções, e incorpora competências e responsabilidades específicas. A inovação faz-se no dia a dia, a todo o momento e por toda a organização. Da nossa experiência de trabalho em mais de 900 empresas em várias partes do mundo e de quase uma década de interação direta e de trabalho com inovadores como Steve Blank, com universidades como Stanford ou com as empresas líderes em Silicon Valley, através do programa GSI – Global Strategic Innovation, identificámos os traços característicos de uma cultura de inovação:

  1. valores partilhados;
  2. crenças;
  3. hábitos e rotinas;
  4. comportamentos.

Untitled1

 

Valorizar a velocidade e a tomada de decisões claras também é fundamental para uma cultura de sucesso. Adiar, complexificar, justificar e não respeitar prazos é contrário a uma cultura de resultados. A chave está na simplificação, na evidência de resultados, mesmo que negativos, pois isso permite fechar um caminho, poupando recursos, e saltar para outra oportunidade.

Outro comportamento fundamental é a assunção de responsabilidades pelos resultados obtidos, quaisquer que sejam. De outra forma dificilmente haverá autonomia e confiança para assumir riscos e trabalhar em equipas colaborativas.

Uma cultura de inovação rejeita e expele a postura do «advogado do diabo». A inovação tem início com um processo divergente de expansão de possibilidades. Por isso, é essencial julgar menos e estar recetivo a todos os contributos e ideias. Uma ideia aparentemente absurda pode vir a ser genial. Numa fase mais adiantada do processo, contudo, é importante haver contraponto e discussão da aplicabilidade da ideia desde que sejam aplicados os valores acima referidos.

Por último, uma cultura de inovação, assim como qualquer cultura saudável, tem de estar fortemente baseada em princípios éticos, sem os quais não se forma a confiança necessária à autonomia, à partilha e à assunção de riscos.

 

Traço cultural definidor

No entanto, estes traços culturais aplicam-se de um modo diferente nas empresas, conforme a estrutura competitiva do setor económico e o posicionamento competitivo de cada empresa. Cada organização deve definir um traço cultural característico e distinto, alinhado com o seu posicionamento estratégico. Muitas empresas consideradas inovadoras têm características culturais que definiram estrategicamente e que querem ver reforçadas constantemente.

Foi assim que, entre outros, a Apple se focou no «Design, design, design», a Google pretendeu ser «A fun place where you make things happen», a Logitech promoveu o «Think like a start-up» e a Amazon tornou a sua cultura numa «Customer obsession».

 

Untitled2

 

3. Como se promove uma Cultura de Inovação?

Promover uma cultura de inovação é o desafio de grande parte das organizações. A cultura organizacional é uma estrada de dois sentidos. Por um lado, está fortemente condicionada pelas dinâmicas com origem na base da pirâmide hierárquica, em sentido bottom-up. Por outro lado, podem – e devem – ser criadas as condições que incentivem os traços culturais que se pretendem implementar, e nesse sentido é top-down.

De uma forma muito pragmática, e a partir de casos das empresas inovadoras de maior sucesso, sugerem-se oito passos:

1 Crie um espaço físico estimulante, que promova a criatividade e um estado mental positivo e descontraído. Pequenas mudanças podem ter um grande impacto.

2 Estabeleça o traço definidor da cultura de inovação da sua empresa em alinhamento com o negócio, i.e., com as necessidades do cliente ou do utilizador final. A cultura deve reforçar os diferenciadores da empresa. Identifique o seu diferenciador, partilhe com a organização e promova o debate e a criatividade sobre o traço definidor.

3 Enquanto líder em inovação, deve criar um sentido de responsabilização nas pessoas criativas em termos dos objetivos da organização, das áreas de enfoque core, das principais capacidades e dos compromissos com os stakeholders.

4 Defina e comunique as atitudes e os comportamentos desejados. Distinga erros operacionais de tentativas de inovação sem sucesso. Comportamentos reiterados levam a hábitos de trabalho. Recompense e incentive aqueles que deseja ver na sua organização.

5 Promova um clima de novas ideias dentro e fora da empresa, e dê tempo e recursos para que sejam apresentadas, analisadas e debatidas. Promova debates de ideias e workshops. A inovação aberta é um dos melhores canais de inovação e frequentemente com custos mais reduzidos.

6 Empodere campeões, dê-lhes autonomia, tempo delimitado e responsabilidade para desenvolverem as boas ideias. Recompense os sucessos e divulgue.

7 Mude os incentivos se sentir que não estão adequados. Por vezes, o incentivo não está no valor, mas no reconhecimento interno. Valorize e festeje. Comunique os sucessos, por mais pequenos que possam parecer.

8 Forneça o framework e as ferramentas que facilitem o processo de inovação. A inovação não ocorre simplesmente porque se deseja, é o resultado de um processo que envolve riscos, incertezas, e precisa de gestão cuidada do equilíbrio entre a criatividade e a disciplina.

 

Cada cultura organizacional é única. É necessário descobrir a sua e desenvolver os aspetos que farão a sua empresa mais inovadora, não no documento de estratégia de inovação, mas no dia-a-dia, impulsionada por todos os elementos da empresa de forma natural. Com isto em mente, a LBC desenvolveu 3 programas com fofo na Cultura de Inovação, para ajudar as organizações neste processo:

  1. Assessment e Caracterização da Cultura Organizacional
  2. Workshops de 1 dia sobre Cultura de Inovação
  3. Projetos de desenvolvimento de uma Cultura de Inovação

Caso tenha interesse em estimular a Cultura de Inovação na sua organização, pode contactar-nos pelo Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. Será feito um programa personalizado e adaptado às necessidades da sua empresa, sempre com foco na Inovação.

Quer saber como podemos ajudar?

Fale com um dos nossos gestores de clientes:

  

melhores empresas

Mantenha-se informado com a nossa newsletter


Dare to be Innovative, Embrace Transformation and Deliver a better world.
© 2019 LBC